A minha filha, que tem vindo a ser cada vez menos tímida à medida que cresce, fez de ratinho da Cinderela na festa da escola.
Tinha umas orelhas, um nariz e bigode pintados, um lenço na cabeça, uma cauda por fora da saia.
O papel dela era para a idade. Dançar e andar à roda.
Estava feliz, orgulhosa e não tirava os olhos de mim que estava feliz, orgulhosa e não tirava os olhos dela.
Há qualquer coisa de absolutamente comovente de os ver ali, fortes, com o papel decorado, minúsculos a serem grandes, perderem a vergonha, a superarem-se.
Este orgulho é muito maior que tudo o que ali estão a fazer.
Mesmo quando não fazem nada estamos com aquela cara de pais de filhos nomeados ao Óscar.
Já ganhaste, ratinho.
O mês passado, quando fizemos 11 anos de casados, e já completamente ciente do resultado, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Eram 5h30 da manhã. Mandei uma mensagem à minha médica em pânico porque já tenho 40 anos e desorientada com o resultado ao que me respondeu: "Mariana, que todas as notícias inesperadas sejam de um bebé". Não dormi mais até o António acordar e lhe contar o resultado em lágrimas. Estive os 2 anos seguintes após o nascimento da Luísa com muita vontade de ter um quarto filho. Decidimos no entanto que não iria acontecer e talvez no último ano tenha aceitado que a nossa "conta" estava feita. Não esperávamos mas aconteceu e nunca pensámos em alternativa alguma senão ter este bebé com todas as dificuldades que também considerámos. A casa, o dinheiro, as escolas, a nossa independência, a nossa idade, os riscos envolvidos. A nossa dinâmica estar já tão fluida e natural. Tanta coisa que pesava "contra" nós. Mas a ideia foi cre...
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