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Paninhos quentes com as mães

Seria de prever que ser mãe fosse sermos ligada aos nossos filhos, preocupadas com os nossos filhos, a amar os nossos filhos, a vê-los crescer. E na sua essência é.
Na base e se pensarmos mais de dois segundos é só isto. Só eles nos importam.
Por eles nos importarem tanto e por sermos mulheres temos duas personalidades. A da que não quer ouvir nada relacionado com o seu filho. A da que não aguenta estar calada.

E a voz hoje é mais do que a nossa família e do que os nossos amigos. São várias vozes que surgem de todos os lados. Somos uma sociedade verdadeiramente opinativa no que diz respeito aos filhos (dos outros).
Ultrapassa os livros que só lemos se queremos, os pediatras, que seguimos se quisermos, a família que ouvimos quando nos apetece.

Estar ligado socialmente ao mundo através das redes e da imensa informação e acesso às coisas, põe-nos a jeito não só para ouvir, mas para comentar.

Algumas pessoas têm a capacidade de comentar interiormente e deixar para a sua própria consciência se vale a pena interessar-se sobre a forma como a mãe alimenta o seu filho, outras, fazem questão de o dizer, alto e bom som.

Por outro lado, estamos também, infantilmente sensíveis a comentários que às vezes são mesmo só isso, comentários, opiniões. Custa-nos ouvir coisas simples e às vezes sem maldade porque andamos enervadas com o excesso de gente que tem uma palavra a dizer. E toda a gente tem uma palavra a dizer.

Já me vi nas diferentes situações. Quando uma palavra minha, simples e sem maldade foi mal recebida, quando disse coisas que mais valia não ter dito porque não acrescentei valor nenhum a ninguém e também quando me disseram coisas que preferia não ouvir. Umas que levei a bem, outras nem tanto.

Falar do outro está na nossa essência e é um mau costume. Pior é não filtrar e criticar tudo aquilo que nos é estranho, diferente, fora da linha. Não saber ouvir também não é melhor. Às vezes e apesar de todos os nossos instintos, a nossa melhor arma da maternidade, até aprendemos. Principalmente quando vem por bem.

Custa-nos nos dias de hoje acreditar primeiro na palavra bem intencionada e levantamos as armas, os espinhos, a carapaça. Aqui ninguém manda! E depois tentamos mandar um bocadinho nas outras casas e nas outras vidas.
Andamos com paninhos quentes umas com as outras, com medo de ajudar, com medo de opinar e com muito medo de ouvir.

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