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Ter só um filho é canja!

Não gosto de me esquecer quando tinha "só" uma filha. O início foi o maior caos por que já passei, os sonos dela, contados ninguém acredita.

Foi uma adaptação muito dura física e emocionalmente, mas a Leonor compensava tudo. Um bebé um bocadinho bicho do mato.
Nunca me importei. Aliás respeito tanto a personalidade deles enquanto bebés (e crianças) que às vezes sou mal interpretada ou considerada galinha chata ou super protectora. Não me chateia. É como é.
Quando ela começou a crescer as coisas tornaram-se mais fáceis. Ela sempre foi muito fácil, tirando o sono e não comer nada de especial, mas feliz, a amar a vida, sorridente.

Hoje tenho três filhos e quando olho para trás, na vida que tínha(mos) só com um parece-me tão fácil. Mais tempo, menos logística, mais espontaneidade, mais orçamento. Ela andava connosco por todo o lado, deitava-se à meia noite se fosse preciso e comia de boião.

Mas é só uma questão de perspectiva porque não foi fácil. O primeiro filho é dose. Tudo aquilo que tem de bom, de mágico, de incrível, tem de revolucionário. Chega, destrói, constrói, desarma, fragiliza, fortalece. Leva tudo à frente, faz crescer torna-nos pequenos e a querer a mãe, torna-nos gigantes: fizemos este ser humano caramba!

Ter só um filho não tem nada de canja. É duro. Bem duro. Aprender a dar de mamar a tratar do umbigo e a limpar os olhos a gerir cansaços a mudar fraldas um absurdo de vezes a pôr a arrotar a vestir e a despir a responder ao choro a tentar dormir descansar fechar os olhos.

Acontece quando depois temos outro e outro, que relativizamos. Repetimos o que fizemos bem, melhoramos o que ficou por fazer. Depois altera-se a logística o tempo diminui a casa aumenta o orçamento vai-se as compras são a triplicar as escolas também as cadeiras também os ténis e as roupas e as camas.

Não é canja ter só um filho. Não é nada canja. Estamos completamente aos papéis e mesmo quando corre na perfeição é sempre uma grande mudança que às vezes fica esquecida quando temos mais filhos como se os novos filhos nos dessem uma espécie de certificado.
É importante não nos esquecermos de como foi para sermos solidários com quem tanto precisa. As mães imploram por solidariedade a cada segundo.

Não é bom dizer a uma mãe de um recém nascido como era fácil com o seu recém nascido, principalmente quando já passou muito tempo. Porque com 100% de certeza, metade está esquecido. Não é bom dizer que o seu bebé dormia 12 horas seguidas aos 3 meses se a mãe à nossa frente não dorme meia hora seguida e já não sabe para onde se virar. Não é bom relativizar a realidade das mães. O que estão a viver, aquilo por que estão a passar, não é bom desacreditar as angústias nem os problemas que com o tempo nos parecem fáceis de resolver. Não é bom esquecer os passos da maternidade e o que vivemos em cada momento.
É bom relembrar e decorar os medos as incertezas a enorme insegurança o pânico de falhar.
Ter só um filho não é canja. É ter um filho. E um filho é o trabalho mais exigente que podemos ter, independentemente do seu número.

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