Avançar para o conteúdo principal

É preciso coragem para se ser bom

O mundo parece estar todo virado para dentro.
A nossa casa. O nosso trabalho. A nossa vida. As nossas coisas importantes. Os nossos filhos. O nosso pequeno mundo.
Olhamos para os outros com sentido crítico no entanto. Observamos o seu mundo a sua casa os seus filhos a sua roupa. Temos esse universo à nossa disposição de inúmeras formas e escolhemos o nosso papel enquanto observadores.
E às vezes entramos na vida dos nossos amigos, da nossa família do vizinho do lado e até de pessoas que não conhecemos e nesse absoluto instante podemos escolher.
Vou ser bom? Vou ser mau e indiferente? Vou fazer a diferença na vida desta pessoa?
É preciso coragem para se baixar as armas e abrir o coração mesmo quando ele está dorido magoado ou fechado.
É preciso coragem para se fazer um elogio porque elogiar significa deixar para trás um pouco do nosso ego.
É preciso coragem para motivar e incentivar porque também gostávamos que nos fizessem o mesmo e às vezes isso não acontece. E magoa. E corrói. E cria ressentimentos.
Ser bom obriga a um exercício duro. Acreditar que fazer o bem por si só nos ajuda, e confiar que um dia o universo nos vai devolver em igual medida e de uma forma ou outra.
Ser bom para os nossos, os que nos são próximos - mais do que para o resto do mundo - reconhecê-los valorizá-los obriga a abrir as portas todas e as janelas todas e deixar entrar tudo o que vier.
E deixar entrar tudo isso em nós às vezes não é simples.
Enquanto cresci ouvi o meu pai dizer - muitas vezes - que o meu maior defeito era igual à minha maior qualidade. Ser uma pessoa boa. Na altura irritava-me. Primeiro porque sei que tenho bom coração mas não sou a Madre Teresa de Calcutá e depois porque não entendia o porquê de lhe chamar defeito. Hoje sei perfeitamente o que queria dizer com isto.
Ser bom pressupõe alguma ingenuidade e também alguma resiliência. E isso a longo prazo não é bom. Torna-nos pessoas mais duras mais frias mais indiferentes ao que vier e que se contentam com muito pouco. Às vezes com nada. No silêncio.
Com o tempo tenho aprendido que ser bom não implica ser totó. Aceitar a vida as coisas e as pessoas tais como elas são. Contentar-me com o que é e não esperar mais. Ter medo. Ficar à espera.
É parte da nossa essência mas é preciso muito mais do que isso. Ser bom não basta.

A minha écharpe manta cachecol salvou-me hoje de uma tarde linda de frio e é da Blu.

Comentários

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Só agora percebi o quanto o queria

O mês passado, quando fizemos 11 anos de casados, e já completamente ciente do resultado, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Eram 5h30 da manhã. Mandei uma mensagem à minha médica em pânico porque já tenho 40 anos e desorientada com o resultado ao que me respondeu: "Mariana, que todas as notícias inesperadas sejam de um bebé". Não dormi mais até o António acordar e lhe contar o resultado em lágrimas. Estive os 2 anos seguintes após o nascimento da Luísa com muita vontade de ter um quarto filho. Decidimos no entanto que não iria acontecer e talvez no último ano tenha aceitado que a nossa "conta" estava feita. Não esperávamos mas aconteceu e nunca pensámos em alternativa alguma senão ter este bebé com todas as dificuldades que também considerámos. A casa, o dinheiro, as escolas, a nossa independência, a nossa idade, os riscos envolvidos. A nossa dinâmica estar já tão fluida e natural. Tanta coisa que pesava "contra" nós. Mas a ideia foi cre...

23 semanas (e um dia)

Passaram 15 dias desde a última actualização e tudo está maior. Eu no geral e também a minha barriga. Fizemos a ecografia morfológica e é impossível a Luísa estar mais saudável e mais enérgica. Durante toda a ecografia não parou e mostrou-se em toda a sua beleza. A médica disse que ela grande e gordinha. Está do tamanho de uma papaia, com cerca de 550 gramas e quase 30 cm! Comigo também está tudo óptimo e não há sinais de parto prematuro - que temos sempre em conta uma vez que no início tive um descolamento. Não tenho azia, nem dores no corpo, nem de cabeça e só ao final do dia, quando me sento, é que sinto o peso todo do dia ali mesmo no sofá. A fase em que estou é óptima porque ainda me mexo e durmo bem, apesar de estar com o sono muito mais leve. Mas de longe esta é a gravidez que mais me está a custar. Primeiro porque não estou mais nova, depois porque - e este é o grande motivo - tenho um filho que ainda quer colo e a quem ainda lho quero quero dar, e muito. E brincar, e correr...

Resumo do jogo.

via Instagram