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A mulher que os meus filhos vêem

Se eles não existissem - os meus filhos - muito provavelmente seria uma mulher completamente diferente. Nem melhor nem pior. Diferente. Nem a imagino.
Mas porque eles existem e porque eles são três e porque tenho 2 raparigas e 1 rapaz, sinto que tenho uma grande responsabilidade. Diferente daquela que teria se fosse uma mulher, sem eles.
Não posso apenas ser. Sempre que sou, eles vêem, copiam, imitam, reproduzem.
Adorava ser politicamente correcta e dizer que as mulheres são iguais aos homens, mas eu não acho - nem de perto nem de longe - que sejam. Acho que os homens são capazes de fazer algumas as mesmas coisas que as mulheres. E as mulheres são capazes de fazer algumas as mesmas coisas que os homens.
Mas não somos iguais. Eu pelo menos não sou.
Gosto que me abram a porta do carro embora seja perfeitamente capaz de o fazer, que me retirem dois sacos da mão e o peso dos braços. Que me paguem o jantar ou o cinema embora o dinheiro seja nosso.
Às minhas filhas vou mostrar que as mulheres se quiserem levantam um prédio, que têm a força de um leão, coragem sem igual e uma resistência inacreditável. Que não são nunca mártires. Mas que têm limites. Que às vezes fazem mais do que podem, do que aguentam, do que devem. Que a balança pesa mais para o seu lado quando se armam em heróis. Que às vezes também precisam de colo e de amparo e de uma mão que lhes carregue o saco. Que não há mal nenhum em aceitar fragilidades e que superá-las com ajuda as torna mais fortes.
A ele vou ensinar que não é inferiorizar uma mulher abrir-lhe uma porta, pagar um cinema, deixar passar à frente ou tirar-lhe os sacos da mão. É ser cavalheiro. Um homem melhor. E sexy já agora.
Vou ensinar-lhe que pode dar sempre o benefício da dúvida às mulheres, porque elas conseguem tudo. E que ele será sempre uma pessoa melhor se se chegar à frente e perguntar: queres ajuda?
Quando é que se tornou politicamente incorrecto e porquê dizer que as mulheres fisicamente - a maior parte delas - são menos fortes. Que sim, que conseguimos arredar móveis com o mesmo afinco mas bolas, somos mais baixas, mais estreitas e anatomicamente diferentes e que um "precisas de ajuda" não nos retira o estatuto.
Ainda bem que o mundo evoluiu e que as mulheres são tratadas como os homens. Pessoas devem ser tratadas como pessoas, nem mais nem menos. É isso que quero que os meus filhos aprendam. Que as mulheres são capazes de tudo e de mais alguma coisa mas que o mundo não se pode virar ao contrário na procura da igualdade,
Vou ensinar que é obrigatório exigir respeito e que respeito nada tem a ver com o género. Que tudo o resto são pequenos pormenores mas que no respeito cabe mais do que todas as convenções. As do antigamente, as de hoje e as do futuro.

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