Avançar para o conteúdo principal

Saudades do dia em que tu nasceste

Fui ao meu hospital, consulta de rotina. Ao lugar onde uma, duas e três vezes a minha vida mudou.
Ao meu lado, no check in entrou uma senhora para fazer o internamento. Estava nervosa e feliz, preocupada porque não tinha tido tempo para ler todos os consentimentos que tinha que assinar. O marido, ao lado dela, parado a entregar-lhe papelada e a olhar para o vazio. Adorava saber o que se passava na cabeça dele. Na dela, acho que sei. Ou pelo menos sei o que eu pensei naquela altura.
No dia em que tu nasceste o dia mudou para depois mudar a vida inteira. No dia em que tu nasceste esteve sempre sol. Eu estava frágil e imensamente forte numa antagonia como nunca antes. Se me pedissem para andar 100 metros provavelmente não conseguiria, no entanto tinha força para dar e vender para que nascesses em três tempos. Para ficar acordada nas 24 horas seguintes, só ali, a ver-te. Para passar por algumas dores.
No dia em que nasceste senti uma adrenalina imensa maior que qualquer uma até hoje. Medo. Orgulho. Tremi e ansiei que chegasses numa expectativa que não se repete, a não ser ali. No dia em que tu nasceste.
O coração encheu-se de uma forma que nem o coração explica. E tudo aconteceu num determinado segundo que fica para sempre gravado na memória.
O cheiro. O choro. O colo. O toque.
No dia em que tu nasceste senti um orgulho em mim como poucas vezes. Como fui capaz de te trazer na minha barriga durante 9 meses, alimentar-te, fazer-te crescer. Como fui capaz de te trazer depois ao mundo quando já era hora. Como fui capaz de te segurar naquele dia para nunca mais te largar?
Nesse dia respirei. Soube que todas as minhas dúvidas se foram quando te peguei ao colo e te abracei e te agradeci. Chorei sempre nesse dia. Agradecida por estares ali ao meu e ao nosso colo, seguro.
Soube nesse dia que há amor e que depois há o amor por um filho. Compreendi a minha mãe e o meu pai e toda a minha vida. Cresci. E regressei.
No dia em que tu nasceste aconteceu tudo. E fazer acontecer a vida não se esquece.
Vou para sempre lembrar-me desse dia. Aquele em que tu nasceste.
Parto da Leonor - 30 de Julho de 2011


Trabalho de parto Zé Maria - 7 de Março de 2014

Parto da Luísa 21 de Junho de 2016


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Um dia muito feliz

Hoje é um dia muito feliz. Há exactamente 4 anos nascia a minha filha Leonor. Tenho tanto a dizer sobre ela, que não posso. Este post é para comemorar as 5000 mil pessoas que seguem a Mãe já vai no Facebook. , as mais de 700 no Instagram e as mais de 100 mil visualizações aqui no blog. Tantos motivos para estar feliz que não podia dar pulos de alegria sozinha. A mim, juntou-se a Seesaw ,  uma marca que é da alma e do coração de duas queridas amigas mais do que talentosas e que eu tanto gosto. Todos já devem conhecer os seus baloiços lindos. Gostem delas e de tudo o que fazem tão bem aqui . A Mustela é a primeira marca em que penso quando penso em maternidade.  Esteve presente nas minhas duas gravidezes,  nos meus dois filhos recém nascidos e agora,  em novas etapas da vida. A Gymboree é especialista no desenvolvimento das crianças e promove-o através de brincadeiras que estimulam as crianças,  a sua criatividade,  a actividade física e cognitiva....

Vem aí coisa boa... da Mustela

Estou quase a fazer anos. Daqui a 10 dias. E a Mustela lembrou-se de oferecer um presente espectacular, mas não a mim!! Aos seguidores do blog! A mim parece-me lindamente porque a verdade é que sempre gostei de dar e oferecer este presente tem um valor especial. Este kit é um habitué cá de casa nos primeiros meses do bebé e a verdade é que o cesto dura eternamente e serve para muitas coisas.  Para casa e para o bebé de alguém com muita sorte vai isto:  Dermo-lavante Hydra-Bebé Corpo Hydra-Bebé Rosto Creme Zona Fralda 123 Toalhetes Dermo-Suavizantes Soro Fisiológico Uma das três cores à escolha. Para ganharem basta gostarem da A Mãe Já Vai e claro da Mustela  e partilharem o post de forma pública (isto é muito importante e s  estas partilhas serão consideradas válidas). Conforme o número de participações o sorteio será feito através do random.org ou de forma mais original que depois conto. (participações 6ª feira e resultado na 2ª dia 26)

A solidão de estar contigo.

Leonor Cresci a querer ser mãe. Fazia contas em papelinhos, jogos da agulha e imaginava quantos filhos teria, com que idade, os nomes. Sempre achei que esse s eria o grande papel da minha vida.  Tinha uma ideia idílica sobre ser mãe . Eu e o bebé, num quarto branco, numa cadeira de baloiço, música de fundo, um prato com queques e chá e o mundo inteiro feliz à minha volta. Tinha ideia de que nunca mais estaria sozinha assim que tivesse um filho. E nunca mais estive. Zé Maria Com muitas amigas a serem mães ao mesmo tempo que eu, apercebi-me da enorme solidão que é ter um recém nascido. Chorei muito no pós parto dos meus filhos mas nunca me senti deprimida mas algumas (muitas) vezes perdida, desorientada e ansiosa. Estive sempre feliz e tranquila quanto baste. Emocional, hormonal e tudo aquilo a que tinha direito. Os primeiros tempos  não queremos lá ninguém, mas não queremos estar sozinhas. Não queremos ajuda mas precisamos dela. Não queremos que os tirem da...