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O direito ao ócio das crianças

Tenho a sorte e sei que a minha realidade está longe de ser norma, de ir buscar os meus filhos cedo. A Leonor entra às 08h30. Às vezes estou à porta às 16h, 16h30 o mais tardar e na pior das hipóteses às 17h00 estou a levá-los aos 3 para casa. São 8 horas no mínimo na escola. Com uma hora de almoço e brincadeira livre pelo meio. Tudo misturado. 4 dias por semana há trabalhos para casa. São 15 ou 20  minutos (porque está no 2o ano) que temos que tirar à nossa rotina seja ela qual for. Brincar descansar visitar a bisavó ver televisão fazer plasticina ou pura e simplesmente fazer nada de nada.

O jornalista José Eduardo Moniz acordou novamente o tema e disponibilizou uma petição  - tão importante a meu ver que já assinei e assinaria mil vezes se pudesse.

Ninguém gosta, depois de um dia de trabalho, de levar para casa mais trabalho. Todos devíamos ter direito ao ócio, ao tempo de família, ao desporto, à brincadeira. Nós somos adultos e aguentamos a chatice que é - às vezes - ter que continuar a nossa actividade profissional em casa, é um frete mas temos que pagar contas. Agora eles? Ainda nenhuma justificação me convenceu para existirem TPC. Não os trabalhos como vejo em forma de ficha e pergunta/resposta e problema matemático. Os trabalhos devem ser da escola e não de casa. 

É tão importante retirar esta obrigação dos dias das crianças. Hoje, e não amanhã. Mostrar-lhes que o tempo em casa deve ser para a família ou para eles ou para coisa nenhuma. 

Os trabalhos de casa não salvam os miúdos das PlayStation's nem dos telemóveis como muitos argumentam e que eles ao menos "não estão agarrados ao ecrã". O que os salva - e infelizmente talvez já não seja possível nesta geração, é ensinar - lhes a importância da casa, da família, da brincadeira, da conversa, da leitura e do tempo livre.

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