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Se eu não fosse mãe.

Penso muitas vezes na mulher que seria caso não fosse mãe.
Em que ponto estaria na minha carreira, como seria o meu casamento, como é que eu seria fisicamente.
Sei, que tudo seria diferente e é um exercício difícil porque não imaginamos, nem queremos imaginar a nossa vida sem filhos. Mas podemos fazê-lo.
A verdade é que assim que somos mães assumimos um papel novo, diferente, transformado. Poucas conseguem manter a sua vida exactamente como era, algumas conseguem ser mães e mulheres em igual medida, outras assumem o papel de mãe e põem de parte a mulher.
Trabalharia com certeza em Publicidade como copywriter e tenho a certeza que hoje teria algum sucesso, seja lá o que isso for. Era boa no meu trabalho e adorava trabalhar. Talvez tivesse viajado mais, trabalhado em agências internacionais e ganho um ou outro prémio. É possível. Vejo-me a escolher um poiso, a vestir a camisola e a manter-me eternamente no mesmo emprego.
O meu casamento teria poucos motivos para tremer ou vacilar. O dinheiro chegava, os programas mantiam-se, as viagens também, o tempo sobrava e não havia discussões acerca de educação, nem cansaço acumulado, nem mesmo despertares nocturnos. Era canja.
Fisicamente, estaria completamente diferente, provavelmente usava baton todos os dias e saltos que me fizessem as pernas mais magras. Estaria mais em forma ou pelo menos com menos peso, isso é uma certeza. Com a barriga mais firme, a cintura mais definida, as maminhas mais empinadas.
Há uma percentagem de mulheres que se mantém sempre assim, tudo o que é para além da maternidade. Que consegue manter o corpo, a profissão, o casamento, tudo dividido em igual medida e ter sucesso em todas as vertentes.
Eu sou vista como a mãe que está em casa, com os filhos, que anda de ténis e roupa prática. E não me importo nada de ser vista como essa pessoa porque em mim tenho a mulher que nunca se perdeu.
É essa mulher que convive diariamente com o papel da maternidade e que nunca é capaz de se dissociar, nem quer. Na mulher que sou estão sempre os meus filhos, porque existem, porque os trouxe ao mundo, porque os amo e porque gosto mais de mim desde que os tenho.
Mas na mulher que sou e que o meu dia a dia me permite, está a mulher que gosta de saltos, que se maquilha todas as manhãs nem que seja para "ir só ali", que adora jantares a dois e com amigos, que se preocupa com a saúde e que se mantém mulher no casamento, nas relações, nas amizades.
O exercício de pensar nessa mulher que nunca me abandonou, é-me fundamental. É por causa dessa mulher que ainda escrevo. É por causa dessa mulher com baton que tento manter a linha, que ponho cremes à noite e que tento que o meu cabelo ande penteado.
Sou mãe, porque essa mulher existe. E a mãe que sou sobrevive apenas porque antes existiu e ainda está lá, a segurar o barco, uma mulher com baton.

Comentários

  1. Gostei! Especialmente das 2 últimas frases :)
    Viva as facetas todas de uma mulher, quer as esteja a praticar todas no momento ou não..

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  2. Adorei ler o seu texto. Sou uma mãe que trabalha fora de casa e tenho tanta pena de nao poder estar mais tempo com o meu filho. Amo ser mãe.Sou muito mais feliz desde que o fui sem dúvida. Com vontade e saúde podemos conciliar a nossa faceta mais pratica e descontraída ( com bom gosto e criatividade até ficamos bem giraças de sapatilhas ;)) com o nosso lado mais "sofisticado"😊. Bjs

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  3. Adorei ler o seu texto. Sou uma mãe que trabalha fora de casa e tenho tanta pena de nao poder estar mais tempo com o meu filho. Amo ser mãe.Sou muito mais feliz desde que o fui sem dúvida. Com vontade e saúde podemos conciliar a nossa faceta mais pratica e descontraída ( com bom gosto e criatividade até ficamos bem giraças de sapatilhas ;)) com o nosso lado mais "sofisticado"😊. Bjs

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  4. Não sou mãe ainda mas amei este texto! Tão mas tão bom ❤️

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