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Gestão.

Em todas as casas há uma obrigação permanente. A gestão.
Gerimos tempo. Finanças. Logística.  Espaço. O casamento. Os filhos. Gerimos birras.  Gerimos atenção. Arrumações. Férias. Escolas. Trabalho.
Essa gestão a certa altura torna-se um faz parte a que damos pouca importância e que se torna natural e da rotina.
Depois surge qualquer coisa que a abala. Um acerto de contas. Uma fase difícil de um filho. Uma dificuldade no casamento. O nascimento de um bebé . E é quando nasce um filho que mais testo a minha capacidade de gestão.
Gerir o bebé e tudo o que isso implica,  gerir os outros filhos e tudo o que isso implica,  gerir as mudanças por fora e por dentro,  gerir os tempos que se alteram. Gerir sentimentos. Gerir a casa.  Gerir o facto de que temos que deixar que giram por nós.
Os meus primeiros tempos de mãe desta terceira filha têm sido uma gestão constante. Minha, do meu marido e da família que nos tem ajudado.
Eu, tento gerir os dias com eles em modo férias sem praia nem grandes aventuras. Aos fins de semana quando os levam para programas que façam jus à sua energia nem sempre acompanho e morro de saudades nossas e da mãe que normalmente sou.
O nosso tempo a 4 (eu e os miúdos) é vivido também em gestão. Entre as fraldas, os sonos, as refeições, a arrumação (mínima ) da casa, resta pouco para brincadeiras como deve ser.
A Luísa e eu ainda não gostamos de praia. O meu corpo não está preparado para o fato de banho do ano passado e a cabeça menos ainda.
A Luísa,  com mês e meio dispensa o calor que tem estado, mesmo debaixo de sombra.
Giro o tempo com ela, o sono dela, as cólicas dela, o arroto dela, o mamar dela e vivo esse tempo sem pensar nele. É um tempo bom e nosso.
Depois há o tempo sozinha. Em que estou de facto sozinha apesar de estar com ela. A perder programas de verão entre amigos,  os primeiros mergulhos do Zé Maria , a cumplicidade que estou a construir com a Leonor.
É uma espécie de paragem,  de interregno no meu estado normal de mãe,  de mulher.
Ao mesmo tempo que nada para,  tudo continua.
Eles crescem, o verão continua,  os amigos reúnem-se.
Perdi umas ondas, uns mergulhos enquanto me geria, geriam por mim e algumas coisas continuavam em auto gestão.
É uma pausa sem parar. Que daqui a nada acaba e quero lá saber do verão e do fato de banho e das jantaradas que perdi. Algumas coisas estarão de volta. O meu corpo, a independência, a mãe presente que sei que sou. A mulher do meu marido.
E ninguém se vai lembrar disto. O tempo vai encarregar-se de gerir isso. Mais cedo ou mais tarde.

Comentários

  1. Este post fez-me tão bem. Tenho agora com 10 meses a minha 3a filha, e deixei este verão de fazer muita coisa! E também vivo em gestão permanente.
    Faço o melhor que posso e o meu melhor tem de ser suficiente

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