Contra mim falo obviamente.
Mas as mulheres são muito chatas.
Assisti no consultório.
O bebé, de uma mísera semana chora.
Pai: o que é que ele tem?
Mãe: o que é que achas?
Pai encolhe os ombros. Mãe revira os olhos.
As mulheres sabem tudo sobre os seus bebés. Topam-lhe os sinais. Todos. Sabem quando têm fome, quando têm sono, quando querem colo. Os pais eventualmente também. Mas eventualmente e se as mães deixarem, e em alguns casos, ajudarem.
As mães são as chicas espertas do assunto. E se por um lado adoram dizer às amigas que "ele ajuda imenso" por outro estão prontas a atirar-lhe facas quando ele não ouviu à primeira o bebé chorar.
Não vou desculpar os homens nem os vou fazer de coitados - acredito que andaram de mãos à abanar durante tempo demais à custa disso - mas a verdade é que os homens não nasceram formatados e as mulheres conseguem ser umas chatas.
Esta combinação por vezes é suficiente para afastar o pai, lhe retirar o direito e de lhe dar razões suficientes para um dia mais tarde, recusar o dever alegando um vai lá tu que eu não sei o que fazer.
Se o homem tenta adivinhar é chacinado sem misericórdia.
- Querida, acho que o bebé está com fome.
- Achas mesmo? Acabou de comer vê lá tu!
Ser pai ao início é um papel ingrato. Se a mãe anda a adivinhar, o pai anda completamente às cegas a amar tanto o seu filho como a mãe, a querê-lo da mesma forma, a não fazer ideia de metade do que se passa na sua mini vida. A lidar com hormonas explosivas.
Há espaço para os dois. E o bebé precisa dos dois. Precisa de um segundo colo em que confie sem reservas, de se habituar ao seu cheiro....
Precisa de conquistar o pai desde os primeiros momentos, de crescer com ele.
De ser (também) seu filho.
O mês passado, quando fizemos 11 anos de casados, e já completamente ciente do resultado, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Eram 5h30 da manhã. Mandei uma mensagem à minha médica em pânico porque já tenho 40 anos e desorientada com o resultado ao que me respondeu: "Mariana, que todas as notícias inesperadas sejam de um bebé". Não dormi mais até o António acordar e lhe contar o resultado em lágrimas. Estive os 2 anos seguintes após o nascimento da Luísa com muita vontade de ter um quarto filho. Decidimos no entanto que não iria acontecer e talvez no último ano tenha aceitado que a nossa "conta" estava feita. Não esperávamos mas aconteceu e nunca pensámos em alternativa alguma senão ter este bebé com todas as dificuldades que também considerámos. A casa, o dinheiro, as escolas, a nossa independência, a nossa idade, os riscos envolvidos. A nossa dinâmica estar já tão fluida e natural. Tanta coisa que pesava "contra" nós. Mas a ideia foi cre...
Não podia concordar mais. Nós somos muito chatas, temos a mania que sabemos tudo e que ninguém é capaz de fazer as coisas como nos. Eu tive uma criança que teve a sorte de ter, desde que nasceu, um grande e presente pai. É porquê? Porque ele quis, mas tb porque eu deixei! Tudo de bom
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