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Não me obriguem a ser livre

É sobre a amamentação.
Dei de mamar aos meus três filhos e tive a enorme felicidade e sorte de nunca ter tido problema físico nenhum nem nenhuma dificuldade ou dor. Apenas coisas pontuais.
Não há nada que pague isso.
Adoro dar de mamar e dou sempre que eles querem, pedem, precisam. Não conto as horas e se for preciso dar passado uma hora de terem mamado, dou. Assim como os deixo dormir a noite toda se precisarem e se tiverem peso para isso.
A amamentação não é um assunto para mim. Não me gabo. Não grito ao mundo que amamento, é só a forma como alimento os meus filhos nos primeiros tempos.
Mas também não escondo.
Tenho um orgulho interior quando eles comem bem e os vejo engordar por algo que veio de mim, quando sei que os protejo com imunidade e olho para tudo isso como um milagre.
Ainda existe muito preconceito em relação à forma como se dá de mamar. Como é visto, como é às vezes mal visto, olhado de lado, questionado.
As mães que dão de mamar queixam-se de preconceitos, vergonha, de um sentimento de se obrigarem a esconder. Nunca senti isso por um único motivo.
Não gosto de dar de mamar em público.
Não pelo público, mas por mim.
Antes de ser mãe era mulher e sempre fui envergonhada e protectora do meu corpo. Nunca usei biquínis decotados nem fiz topless. Não gosto de me despir nem no médico. Não é defeito, é feitio.
Mas quando se fala de amamentar em público percebi recentemente que há preconceito em relação a quem se protege e ao seu bebé da multidão.
É obrigatório dar de mamar à frente de toda a gente. Mesmo que a mãe não goste ou sinta que o bebé que só ela conhece precise de se resguardar por qualquer motivo que seja.
Prefiro o carro a um centro comercial. O meu quarto à sala, quando tenho visitas, um buraco escuro silencioso a um caos de gente aos gritos.
Prefiro dar de mamar onde prefiro dar de mamar.
E essa é a minha liberdade.

Comentários

  1. :)
    Também fui assim... quando por algum motivo não podia ir para um sitio mais resguardado, no minimo usava uma fralda que ficava pendurada no meu ombro e tapava o bebé...
    Mas cada um deve fazer como se sentir melhor, sem se esquecer que a liberdade de um acaba onde começa a liberdade do outro, como em tudo...

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  2. Credo! Faz tanto sentido criticar a mulher por não dar de mamar em qualquer lado, como criticar a mulher por por a mama de fora para o seu bebé mamar. Cada uma faz como quer e bem entende.
    Faz-me muita confusão que existam preconceitos e chamadas de atenção quer por uma coisa quer por outra.
    Às vezes não me sinto bem a dar de mamar em público mas atrapalho-me tanto com a fraldinha ou o paninho na cabeça da bebé que, a maior parte das vezes, não me cubro com nada, principalmente no verão. Mas também ninguém vê nada, porque tenho sempre o cuidado de me colocar numa posição que seja confortável para o bebé e que não me deixe muito exposta. Mas isso sou eu, são coisas minhas, feitio meu. Cada uma faz como quer e bem entende e, em vez de criticar, devíamos perguntar em que é que podemos ajudar.
    Bem... a natureza humana é a natureza humana. Uma pessoa é presa por ter cão e por não ter. :P

    ResponderEliminar
  3. Concordo completamente com a Ana. Quando a amamentei a minha filha (em exclusivo até aos 6 meses) também me resguardei sempre, por mim e por ela. Nunca gostei de público (salvo o pai ou a minha mãe). Não acho mal nenhum para quem gosta, ou lhe é indiferente, amamentar em público, mas eu não me sentia confortável. E isso é que interessa naquele momento. Estarmos relaxadas e sentirmo-nos bem, em paz.

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