Caio sempre no mesmo erro.
Primeiro olho para o que tenho e começo a agradecer pelas mil coisas que me sobram. O meu marido, os meus filhos, a minha família com mais ou menos desencontros. A nossa saúde.
Depois olho à minha volta. Que importância tenho na vida dos outros. Significo para alguém? E os que nos estão mais próximos não contam para a equação. Sei que sou importante para o meu marido, para os meus filhos. Mas e o resto das pessoas que me rodeiam? Faço diferença?
Depois tenho saudades dos que faltam, e penso neles até às lágrimas.
A minha bisavó que me deu a poesia, a minha avó que sempre me deu mantas e sacos de água quente a fazer lembrar o Natal, a minha prima mais velha que me/nos deixou cedo demais.
É inevitável. Faz parte do balanço. Dos 12 meses. Pensar no que foi bom. No que foi mau. No que é obrigatório mudar.
Olho para mim também. Talvez antes de olhar para tudo o resto. Umas vezes desculpo as minhas falhas, outras não me perdoo. E falho muito. E culpo-me e desculpo-me mais. É no Natal que mais me apercebo das falhas da vida, das desilusões por ser uma época absurdamente emotiva. Também é por isso que não me esqueço de agradecer e de abraçar os que amo e me amam e os que gostam que faça parte das suas vidas, tal como eu.
O mês passado, quando fizemos 11 anos de casados, e já completamente ciente do resultado, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Eram 5h30 da manhã. Mandei uma mensagem à minha médica em pânico porque já tenho 40 anos e desorientada com o resultado ao que me respondeu: "Mariana, que todas as notícias inesperadas sejam de um bebé". Não dormi mais até o António acordar e lhe contar o resultado em lágrimas. Estive os 2 anos seguintes após o nascimento da Luísa com muita vontade de ter um quarto filho. Decidimos no entanto que não iria acontecer e talvez no último ano tenha aceitado que a nossa "conta" estava feita. Não esperávamos mas aconteceu e nunca pensámos em alternativa alguma senão ter este bebé com todas as dificuldades que também considerámos. A casa, o dinheiro, as escolas, a nossa independência, a nossa idade, os riscos envolvidos. A nossa dinâmica estar já tão fluida e natural. Tanta coisa que pesava "contra" nós. Mas a ideia foi cre...

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