Avançar para o conteúdo principal

Aaeronave que mudou a minha vida





















A Mãe já vai: A aeronave que mudou a minha vida e que levou duas outras





8/02/2017







A aeronave que mudou a minha vida e que levou duas outras

Nem sei se deveria escrever isto.

Com que direito?

Era só um dia de praia que prometia o do costume.

Fui eu e eles. Os meus três filhos.

Estivemos algumas horas na praia e íamos ficar mais.

Encontrámos uns amigos.

Os miúdos andavam entre areia seca o enrolar na toalha a reposição de creme e os dentes a tremer.

Uma amiga estava à beira mar e a Leonor também. O Zé Maria também quis ir e eu fiquei a vê-los ao longe enquanto brincava com a Luísa.

A Leonor subiu para pôr creme e disse-lhe  que mais um bocadinho e voltem para cima...

Estou de pé a olhar para eles e do nada surge uma aeronave a um metro do chão. Põe as rodas na areia, levanta as rodas volta a pôr. aterra. desliza.

10 segundos.

Atirei a Luísa para o meu colo e corri. Aos gritos. Descontrolada. Fora do meu corpo.

- os meus filhos! Os meus filhos! Não vejo os meus filhos! Os meus filhos!

Foi isto que gritei enquanto corri. Vejo o Zé Maria primeiro e depois a Leonor e arrasto todos para a areia seca.

A minha amiga Catarina com a bebé dela com os meus. A trazê-los também.

Os gritos eram de todos os que ali estavam e gritavam e choravam e procuravam. Todos procuravam alguém. Todos tinham alguém.

Entre os gritos e as lágrimas a 10 metros dos meus filhos estava alguém. Deitado sem se mexer. Morto. A Leonor diz que o viu. A cair de cabeça e a desmaiar e a morrer. Dissemos-lhe que ele estava bem....

30 metros depois uma criança e depois a aeronave.

Saímos o mais rapidamente possível dali. Antes chorei muito. Abracei-os o mais que pude e chorei mais e gritei e questionei e agradeci e pensei naquele homem sozinho deitado ali sem um abraço e nos dele que os procuravam. E na outra pessoa que eu ainda não sabia que era uma menina de 8 anos e que tinha a mãe ali. A viver o que eu só temi.

Numa escala diferente muito diferente porque direito tenho eu,  a minha noção da vida deles e do tamanho que ocupam em mim, mudou para sempre.

Para sempre vou ter este sentimento do que é a ideia de os perder.

Não consigo falar em sorte. O que lhes aconteceu e às outras pessoas que ali estavam foi um milagre. E ao homem de 57 anos e à menina de 8 anos a maior e mais parva tristeza da vida.


31 comments:



  1. Acabei de ver a notícia. Eu, com quatro, e estando muitooo longe, consigo milimetricamente rever-me nesse sentimento, ainda que saiba o quão diferente é ler e viver na pele. Veio-me uma lágrima ao olho. Meu Deus, que aflição e aperto.
    Cláudia
    ReplyDelete
  2. Há uns meses estava com o meu marido e a minha bebé de 1 ano e pouco numa marina. Num determinado momento começámos a ver um grande reboliço, pessoas aos gritos e a correr: uma criança tinha "desaparecido"... Nesse momento deu-me um nó na garganta! Felizmente foi SÓ um susto: a menina estava escondida numa loja! Mas a minha reação foi instituição: apertei a minha filha, e tive de controlar o choro, de pânico, só de pensar q podia ser ela...
    Aconteceu o mesmo agora c o seu texto...
    Muita força! Beijinho
    ReplyDelete
  3. Meu Deus, que aflição!
    Ainda bem que estão bem.
    Nem quero imaginar...
    Beijinho
    ReplyDelete
  4. Não tenho palavras. Foi uma tragédia.
    ReplyDelete
  5. Se para quem só ouviu a notícia já é uma tristeza...não imagino o horror de quem presenciou esse momento terrível 😢
    ReplyDelete
  6. Conhecia o senhor que faleceu... muito triste, como a Vida muda num segundo!! :(
    ReplyDelete
  7. Replies
    1. Costa da Caparica-Praia de São João-Portugal!
      Delete
  8. Muito triste...não há palavras! A vida é demasiado frágil...tudo muda, num segundo...
    A morte surge do nada.... ��
    ReplyDelete
  9. Esta para fazer 2 anos que num centro comercial em Lausanne na Suíça enquanto esperava pelo elevador, em questão de segundos meu filho de 2 anos desapareceu, meu desespero foi enorme, eu e uma amiga corremos por todo lado a procura, chamamos os segurancas que rapidamente fecharam as saidas do edificio, e gracas a rapidez deles hoje tenho meu filhote, um senhor tinha agarado no meu filho, o homem estava maluco, dizia que o menino era dele e que eu o tinha roubado. Foi um dia que jamais irei esquecer.
    ReplyDelete
  10. A tristeza, a revolta, a incompreensão... Tudo tomou conta de mim. O desespero de querermos saber dos nossos, vê-los, apertá-los, segurá-los, protegê-los e a possibilidade de não conseguirmos.
    Uma tragédia.
    Um nó no peito.
    Sem palavras.
    ReplyDelete
  11. Tenho uma filha com 8 anos... apenas a apertei muito e lhe disse o quanto a amo. Doeu-me o coração, a alma e todas as minhas entranhas se contorceram... demasiado horrível
    ReplyDelete
  12. Por isto tudo e mais alguma coisa, temos mesmo de abraçar os nossos filhos (tenho uma menina com 6 anos e outra com 3) todos os dias e dizermos o quanto as amamos todos os dias. A vida é tão ingrata e curta. Aproveitemos. Não quero imaginar a aflição. Beijinhos apertados
    ReplyDelete
  13. Desconhecia o seu blog, ouvia no Você na TV, as lágrimas correm só de imaginar no seu lugar...

    Agora é conseguir dar a volta por cima e ver se os pequenos ano ficaram com traumas. Sinta o meu abraço... Bjs
    ReplyDelete
  14. eu não tenho palavras , pois , eu não tenho filhos pequenos ,
    mas tenho um netinho de 10 anos e estava a chegar a casa ,do trabalho quando ouvi a noticia , foi logo telefonar para o neto , para saber aonde ele estava quando ouvi a voz dele ai descansei, eu sei que foi um pouco eguista , mas dei comigo a pensar , que hoje somos todo e há manhã não somos nada ,
    para esta mãe e outras tantas que passaram por isto um beijão muito apertado com muito carinho
    ReplyDelete
  15. Desde que vi a notícia que só me apetece chorar. Sou mães de duas, 30 e 9 meses. :(
    ReplyDelete
  16. Dava tudo para não conhecer esse sentimento de case perda, de temer por a vida de um filho. Depois disso tudo muda, tudo nos atinge com um sentimento devastador de compaixão... não sou capaz de parar as lágrimas...mas tenho que as enchugar e sorrir para os meus dois filhos e aproveitar ao máximo cada momento, pois não sei quando vai ser o último...��������
    ReplyDelete
  17. Deus leva as pessoas erradas!!!!
    Uma tragedia.... nem na praia se pode estar.
    A vida é ingrata!!!! Porque????
    ReplyDelete
  18. A mãe ( e restante família, é claro) da menina de 8 anos vai precisar de ter muita força... Espero que tenha uma boa rede de familiares e amigos...
    ReplyDelete
  19. Muito triste....Sem palavras
    ReplyDelete
  20. Ainda não consegui gerir isso. Porquê meu Deus? Devia de ser uma tarde tranquila e não essa tragédia. Muita força para quem perdeu seus entes queridos.
    ReplyDelete
  21. Tenho uma filha já crescida, com 17anos. Podia dizer que a sensação de impotência melhora com a idade!!! Não!!!! Piora... Ser mãe é sofrer a dor da incerteza de que algo pode acontecer de mal para quem é tudo para nós. Essa mãe que perdeu a criança nunca mais se levanta!!!! E também e triste um homem morrer tão estupidamente e novo... As injustiças da justiça divina!!!!
    ReplyDelete
  22. Sem Palavras,,,,Muito triste,,,Deus esteja com os familiares.
    ReplyDelete
  23. Das duas vezes que perdi o meu filho, fiquei cega para o resto do mundo. Nem ouvia os meus gritos que depois me contaram serem ensurdecedores. Deixei de ver gente, entrei pela água dentro, passei por cima de quem estava deitado como se o resto do mundo não existisse.... e na praia, sempre na praia... onde aos 18 anos vi o meu primo e melhor amigo morrer afogado. Não quero sequer imaginar o seu sofrimento...
    ReplyDelete
  24. Também lá estava e presenciei, com a minha filha, o terrível acidente que certamente nunca esqueceremos. A morte passou-nos ao lado e escolheu outras vítimas, que podíamos ter sido nós. Também tive vontade de escrever e também me questionei "com que direito?". Acabei por não o fazer publicamente, mas de certo modo foi reconfortante encontrar este texto. É estranho, como precisamos de expressar as emoções negativas, partilhá-las com os outros. Obrigada.
    ReplyDelete
  25. A sensação que descreve é logicamente certa.
    Não deveria ter acontecido tal acontecimento,
    mas infelizmente aconteceu,sobretud para os
    que morreram.
    Já não se pode estar descansado em lado nenhum.
    A vida está sempre a fugir-nos!!!
    Bjs,
    Irene Alves
    ReplyDelete
  26. This comment has been removed by the author.
    ReplyDelete
  27. Foi mais um acontecimento tão estranho, que levou a vida de duas pessoas, de uma forma tão estranha também.Nem sei que dizer nem que pensar, mas estas horas fatídicas são de facto uma injustiça divina. Paz às suas almas. E que bom ter tido os seus filhos nos braços.
    ReplyDelete
















Comentários

Mensagens populares deste blogue

Um dia muito feliz

Hoje é um dia muito feliz. Há exactamente 4 anos nascia a minha filha Leonor. Tenho tanto a dizer sobre ela, que não posso. Este post é para comemorar as 5000 mil pessoas que seguem a Mãe já vai no Facebook. , as mais de 700 no Instagram e as mais de 100 mil visualizações aqui no blog. Tantos motivos para estar feliz que não podia dar pulos de alegria sozinha. A mim, juntou-se a Seesaw ,  uma marca que é da alma e do coração de duas queridas amigas mais do que talentosas e que eu tanto gosto. Todos já devem conhecer os seus baloiços lindos. Gostem delas e de tudo o que fazem tão bem aqui . A Mustela é a primeira marca em que penso quando penso em maternidade.  Esteve presente nas minhas duas gravidezes,  nos meus dois filhos recém nascidos e agora,  em novas etapas da vida. A Gymboree é especialista no desenvolvimento das crianças e promove-o através de brincadeiras que estimulam as crianças,  a sua criatividade,  a actividade física e cognitiva....

Vem aí coisa boa... da Mustela

Estou quase a fazer anos. Daqui a 10 dias. E a Mustela lembrou-se de oferecer um presente espectacular, mas não a mim!! Aos seguidores do blog! A mim parece-me lindamente porque a verdade é que sempre gostei de dar e oferecer este presente tem um valor especial. Este kit é um habitué cá de casa nos primeiros meses do bebé e a verdade é que o cesto dura eternamente e serve para muitas coisas.  Para casa e para o bebé de alguém com muita sorte vai isto:  Dermo-lavante Hydra-Bebé Corpo Hydra-Bebé Rosto Creme Zona Fralda 123 Toalhetes Dermo-Suavizantes Soro Fisiológico Uma das três cores à escolha. Para ganharem basta gostarem da A Mãe Já Vai e claro da Mustela  e partilharem o post de forma pública (isto é muito importante e s  estas partilhas serão consideradas válidas). Conforme o número de participações o sorteio será feito através do random.org ou de forma mais original que depois conto. (participações 6ª feira e resultado na 2ª dia 26)

A solidão de estar contigo.

Leonor Cresci a querer ser mãe. Fazia contas em papelinhos, jogos da agulha e imaginava quantos filhos teria, com que idade, os nomes. Sempre achei que esse s eria o grande papel da minha vida.  Tinha uma ideia idílica sobre ser mãe . Eu e o bebé, num quarto branco, numa cadeira de baloiço, música de fundo, um prato com queques e chá e o mundo inteiro feliz à minha volta. Tinha ideia de que nunca mais estaria sozinha assim que tivesse um filho. E nunca mais estive. Zé Maria Com muitas amigas a serem mães ao mesmo tempo que eu, apercebi-me da enorme solidão que é ter um recém nascido. Chorei muito no pós parto dos meus filhos mas nunca me senti deprimida mas algumas (muitas) vezes perdida, desorientada e ansiosa. Estive sempre feliz e tranquila quanto baste. Emocional, hormonal e tudo aquilo a que tinha direito. Os primeiros tempos  não queremos lá ninguém, mas não queremos estar sozinhas. Não queremos ajuda mas precisamos dela. Não queremos que os tirem da...