Avançar para o conteúdo principal

As crianças precisam de ser entretidas

Sim.
Isto vai contra todas as teorias da nova era da educação. Em que se deve educar com liberdade, brincar com liberdade, comer com liberdade, vestir com liberdade, fazer tudo o que se possa calcular com liberdade.
Pois. Eu acredito que quem um dia se lembrou sequer de pensar nisto, estava sentado, a ler um livro, de copo na mão. Provavelmente bêbado. E não em casa com três filhos, um cão, um porquinho da Índia e dois peixes.
Sou pela liberdade. Desde sempre. Que devem crescer com ideias próprias, com a possibilidade de ter opinião, de poder duvidar, contrapor, explicar. Ser eles mesmos. Imaginar, criar, explorar, mexer nas coisas.
Mas fora de casa.
Quem inventou essa teoria - porque são precisas mais teorias que façam as mães sentir-se cada vez mais um traste com elas mesmas - vivia no campo, tinha empregada 12 horas por dia, uma casa ampla, fácil de arrumar, refeições preparadas. E não em casa, com filhos de férias há dois meses, com um tempo incerto. Assumo e abraço toda essa liberdade retirando-as de casa, onde espalham, sujam, reviram, mexem, arriscam. Podem ser livres na praia, no jardim em qualquer lugar que não me obrigue a estar de rabo para cima, já sem costas e sem paciência a apanhar todos os brinquedos que espalham sem critério.
Sim, as crianças devem arrumar o que desarrumam. Mais uma teoria perfeita para filhos perfeitos. Os meus, com 1, 3 e 6 anos arrumam o que conseguem, o que sabem e o que estão para aí virados.
Em casa, as coisas complicam-se. A liberdade deles tem limites ou a minha acaba por completo. E mesmo quando crio regras, me zango, ando atrás deles, nem tudo corre como esperado e a casa acaba invariavelmente virada do avesso.
Por isso, nas
férias, nos dias de mau tempo, quando um deles está doente e temos que ficar todos em casa, fechados a gerir vontades, brincadeiras e afins cedo pouco a teorias, faço o que posso e sei, mando um berro ou outro, faço exigências e controlo disfarçadamente a liberdade deles. 
Às vezes, esquecendo todos os anos de estudo de pediatras e mentores da educação moderna, protegendo um bocadinho a pessoa sã que ainda resiste em mim e que também merece descanso, digo:
- meninos, e se vissem um filme?

Comentários

  1. Acredito em educar promovendo a autonomia das crianças, mas também reconheço que nem sempre isso pode ser fácil, ainda para mais com mais do que um filho... Há que "gerir a crise" como eu costumo dizer. Uma casa vivida tem desarrumação, por mais que isso possa custar ao nosso lado mais obsessivo-compulsivo. As crianças (e também os adultos) nem sempre interiorizam as regras à primeira, leva o seu tempo e também cada um acaba por gostar de organizar o seu espaço à sua maneira. Mas o que interessa é não acreditar piamente em todas as correntes, teorias e afins que se lêem e adaptá-las à nossa realidade, à nossa medida e à nossa família. Já nos bastam todas as regras que temos de seguir fora de casa... Se as transportarmos todas para dentro de casa, de olhos fechados, não vamos viver e o tempo para aquilo que é verdadeiramente importante perde-se. Bom post! :)

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Só agora percebi o quanto o queria

O mês passado, quando fizemos 11 anos de casados, e já completamente ciente do resultado, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Eram 5h30 da manhã. Mandei uma mensagem à minha médica em pânico porque já tenho 40 anos e desorientada com o resultado ao que me respondeu: "Mariana, que todas as notícias inesperadas sejam de um bebé". Não dormi mais até o António acordar e lhe contar o resultado em lágrimas. Estive os 2 anos seguintes após o nascimento da Luísa com muita vontade de ter um quarto filho. Decidimos no entanto que não iria acontecer e talvez no último ano tenha aceitado que a nossa "conta" estava feita. Não esperávamos mas aconteceu e nunca pensámos em alternativa alguma senão ter este bebé com todas as dificuldades que também considerámos. A casa, o dinheiro, as escolas, a nossa independência, a nossa idade, os riscos envolvidos. A nossa dinâmica estar já tão fluida e natural. Tanta coisa que pesava "contra" nós. Mas a ideia foi cre...

23 semanas (e um dia)

Passaram 15 dias desde a última actualização e tudo está maior. Eu no geral e também a minha barriga. Fizemos a ecografia morfológica e é impossível a Luísa estar mais saudável e mais enérgica. Durante toda a ecografia não parou e mostrou-se em toda a sua beleza. A médica disse que ela grande e gordinha. Está do tamanho de uma papaia, com cerca de 550 gramas e quase 30 cm! Comigo também está tudo óptimo e não há sinais de parto prematuro - que temos sempre em conta uma vez que no início tive um descolamento. Não tenho azia, nem dores no corpo, nem de cabeça e só ao final do dia, quando me sento, é que sinto o peso todo do dia ali mesmo no sofá. A fase em que estou é óptima porque ainda me mexo e durmo bem, apesar de estar com o sono muito mais leve. Mas de longe esta é a gravidez que mais me está a custar. Primeiro porque não estou mais nova, depois porque - e este é o grande motivo - tenho um filho que ainda quer colo e a quem ainda lho quero quero dar, e muito. E brincar, e correr...

Resumo do jogo.

via Instagram