Tenho ideia que a ideia que se tem da infância é um bocadinho vaga. Não é nada concreto. Tenho uma ideia geral e momentos particulares. Histórias que vivi, que me contam. Sei o elementar. Os primeiros dentes e passos e quando andei e o meu feitio e se acordava cedo ou tarde.
O que sentia. Como me sentia. Não sei. Na verdade não sei que criança fui. Tenho imagens de coisas que vivi. De aventuras. Mas não sei se fazem parte da minha memória, se de histórias que me contaram. Aliás, quando tento pensar em mim, ver-me sem ser em fotografias, sentir o que fui, só me lembro dessa criança com 8 anos. Antes, não existo para mim. Não sei grande coisa acerca dessa criança que fui.
Levar os meus filhos até à idade em que efectivamente se irão lembrar de serem pessoas é de um peso e ao mesmo tempo de uma leveza que ainda me pergunto como Deus ou o universo foi capaz de colocar em mim/em nós.
Levo-os/levamo-los até aí, a esse lugar de memórias esperando apenas que cheguem lá seguros, felizes e cheios de espaço e capacidade e alma para guardarem o resto da vida, que tenham ferramentas e armas para o que der e vier e que guardem a certa altura tudo aquilo que lhes dermos, no coração.
E que saibam que foram crianças incríveis, sensíveis, desprendidas, que cada um à sua maneira teve momentos mais difíceis em que precisámos de estar mais atentos, dar um empurrão maior, pegar mais vezes ao colo, dar abraços mais apertados, ficar ali ao lado na cama mais um bocadinho mas que os vossos olhos nunca me fizeram duvidar do nosso amor nem da nossa vontade de fazer parte das vossas boas memórias.
Desde o primeiro dia.
O mês passado, quando fizemos 11 anos de casados, e já completamente ciente do resultado, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Eram 5h30 da manhã. Mandei uma mensagem à minha médica em pânico porque já tenho 40 anos e desorientada com o resultado ao que me respondeu: "Mariana, que todas as notícias inesperadas sejam de um bebé". Não dormi mais até o António acordar e lhe contar o resultado em lágrimas. Estive os 2 anos seguintes após o nascimento da Luísa com muita vontade de ter um quarto filho. Decidimos no entanto que não iria acontecer e talvez no último ano tenha aceitado que a nossa "conta" estava feita. Não esperávamos mas aconteceu e nunca pensámos em alternativa alguma senão ter este bebé com todas as dificuldades que também considerámos. A casa, o dinheiro, as escolas, a nossa independência, a nossa idade, os riscos envolvidos. A nossa dinâmica estar já tão fluida e natural. Tanta coisa que pesava "contra" nós. Mas a ideia foi cre...
nice post!!
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